░ ESCONDERIJO

Tenho passado a vida inteira à espera
dos veados pretos, aqui escondido no escuro
recanto do bosque.
Apanho-os em vislumbres, quando se desprotegem,
saindo disparados
para se apagarem nas árvores fundas.
Estão ali implícitos, apenas se mexendo
se eu ficar quieto.
Embora num sonho que tenho
se aproximem tanto que lhes sinto a respiração.
Depois, quando olho para baixo,
já desapareci.
Lá no extremo do bosque, o resfolegar
e o tossir do bando a alimentar-se.
Uma rajada desencadeia um desprender de folhas,
que se põem em fuga e saltam como as cabeças remotas
dos veados ao longe.
O vento cessa e as árvores têm chifres.

 
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▪ Robin Robertson
(Escócia, n. 1955)
in “Saling the florest” – Selected Poems, Editor Picador, London, 2014
Mudado para português por – Vasco Gato (Poeta e tradutor)



Versão original/ Original version

 

HIDE

I have been waiting for the black deer
all my life, hidden here in te dark
corner of the wood.
I see glimpses of them, breaking cover,
Swinging away
to erase themselves in the deep trees.

They are implicit there, and will move
only if I hold still.
Though in a dream I have
they stand so near I can feel them breathing.
Then, when I look down
I have disappeared.

Out at the wood’s edge, the snorts
and coughs of the feeding herd.
A gust startles a lift of leaves, and they
scatter and bound like the far-off heads
of deer in the distance.
The wind drops and the trees are antlered.

 

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▪ Robin Robertson
(Escócia, n. 1955)
in “Saling the florest” – Selected Poems, Editor Picador, London, 2014

 

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