░ Hoje, as cidades

Hoje, as cidades
ficaram um pouco mais longe
e eu não sei porquê
só sei que ficaram mais longe
as cidades
à beira-mar, havendo por todo o globo
as duas vidas:
eleanor damortis animada de festas e de estios
ou a rapariga que vive
a mil e quinhentos paus por mês
não sabendo no armário
outros sítios de ser festa ou esperar.
(do outro lado da ribeira o velho cão
Guarda o corpo como algas
E compotas de frio às seis da tarde…)
A rapariga do armário
Mata-se na cidade
Do outro lado de ser diferente o mesmo tempo.

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▪ R. Lino
(Évora, n. 1952)
in “Sião”, Organização e notas de Al Berto, Paulo da Costa Domingos e Rui Baião, Editora Frenesi, Lisboa, 1987

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