░ DEPOIS DO AMOR

Depois do amor, perguntas: “O que é o amor?”,
querendo convencer-me no teu silêncio
de que tu já o sabes,
de que tens resposta para tudo na vida,
ou pelo menos uma invejável capacidade de análise.

Eu não saberia dizer-te
se o amor é quietude, se aventura,
ou se tem outros nomes
– penumbra, labirinto, intensidade, desejo –
com os quais designá-lo vagamente.

Eu apenas poderia entreabrir a janela
desta ilha deserta que agora são os nossos corpos
e mostrar-te uma paisagem que venceu a morte.

 

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▪ Juan Lamillar
(Sevilha ESP, n. 1957)
in “A arte das sombras”, Editorial Caja de Ahorros de Granada, Granada, Espanha, 1991

Mudado para português por – Sandra Santos, estudante de mestrado em “Estudos Editoriais” pela Universidade de Aveiro, Portugal. Desenvolve projectos na sua área de estudos. Escreve e tra/produz. Membro do colectivo artístico “Mutações Poéticas”. Co-fundou a página de facebook “Poesia em matéria fria”. Em 2016, co-coordenou o sexto número da revista de poesia “Cuaderno Ático”. A sua missão de vida é contribuir para a partilha de conhecimento, através da sua intervenção político-poética no mundo.



VERSÃO ORIGINAL/ VERSIÓN ORIGINAL

 

░  TRAS EL AMOR

 

Tras el amor, preguntas: “¿Qué es el amor?”,
queriendo convencerme en tu silencio
de que tú ya lo sabes,
de que tienes respuesta para todo en la vida,
o al menos una envidiable capacidad de análisis.

Yo no sabría decirte
si el amor es quietud, es aventura,
o si tiene otros nombres
-penumbra, laberinto, intensidad, deseo-
con los que designarlo vagamente.

Yo tan sólo podría entreabrir la ventana
de esta isla desierta que ahora son nuestros cuerpos
y mostrarte un paisaje que ha vencido a la muerte.

 

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▪ Juan Lamillar
(Sevilha ESP, n. 1957)
in “El arte de las sombras”, Editorial Caja de Ahorros de Granada, Granada, España, 1991

 

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░ CÂMERA OBSCURA

Guarda a realidade num espelho escuro
e que a luz estreita lhe dê vida.
Sobre o cristal manchado renascem as paisagens:
difusas porém mágicas.
Que conflito interior entre luzes e sombras,
entre química e tempo,
nos devolve os signos feitos signos?
Invertidas imagens, agora,
nas nossas mãos mostram as cidades,
as visões enigmáticas do mundo.
Olhamos com assombro esta esquina do tempo,
este cartão iluminado e claro
que com a sua luz nos salva do esquecimento.

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▪ Juan Lamillar
(Sevilha ESP, n. 1957)
Poema inédito em livro

Mudado para português por – Sandra Santos, estudante de mestrado em “Estudos Editoriais” pela Universidade de Aveiro, Portugal. Desenvolve projectos na sua área de estudos. Escreve e tra/produz. Membro do colectivo artístico “Mutações Poéticas”. Co-fundou a página de facebook “Poesia em matéria fria”. Em 2016, co-coordenou o sexto número da revista de poesia “Cuaderno Ático”. A sua missão de vida é contribuir para a partilha de conhecimento, através da sua intervenção político-poética no mundo.



VERSÃO ORIGINAL/ VERSIÓN ORIGINAL

 

░ CAMERA OBSCURA

 

Guarda la realidad en un espejo oscuro
y que la luz estrecha le dé vida.
Sobre el cristal manchado renacen los paisajes:
difusos pero mágicos.
¿Qué conflicto interior entre luces y sombras,
entre química y tiempo,
nos devuelve los signos hechos signos?
Invertidas imágenes, ahora,
en nuestras manos muestran las ciudades,
las vistas enigmáticas del mundo.
Miramos con asombro este rincón del tiempo,
este cartón iluminado y claro
que con su luz nos salva del olvido.

 

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▪ Juan Lamillar
(Sevilha ESP, n. 1957)
– Inédito –