░ Herança

A mulher deixou cair uma filha da barriga.
A barriga que tinha crescido morreu.
Deixou estampada uma folha de neve no chão.
Lá dentro meteu pauzinhos para fazer no inverno um caixão.
A filha que tinha crescido com uma folha da lua sepultada na face,
Deixou tombar os ponteiros de neve na sala.
Depois começou a lamber o sangue das paredes
como o útero de Deus.

 

_
▪ Maria Azenha
(Coimbra, n. 1945)
Inédito publicado com prévia autorização da autora



– VERSION BY LESLEY SAUNDERS –

 

Legacy

The woman let drop a daughter from her belly.
The belly that had grown big died.
She let a leaf of snow imprint the ground.
There within she stacked some little sticks to make a winter coffin.
The daughter who’d grown tall with a leaf of moonlight buried in her face
felled the pillars of snow in the room.
Then she began to lick the blood off the walls
as if they were the womb of God.

_
▪ Maria Azenha
(Coimbra, b. 1945)
Unpublished
Version by Lesley Saunders (Poet and educationalist)

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