░ BIPOLAR

IJuxta crucem, garganteando
altíssimo um flamenco atrevido
– eis como gosto às vezes de estar.

Outras vezes, contudo, baixo a voz
como um cão amedrontado refugia
por precaução a cauda entre as pernas,
seu modo de agitar uma bandeira branca
– e não murmuro senão sílabas contritas.

Branco e negro alternados,
honestos por igual.

 

_
▪ A. M. Pires Cabral
(Macedo de Cavaleiros, n. 1941)
in “Cobra-D’ Água”, Edições Cotovia, Ldª., Lisboa, 2011

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